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CONSOLO VINDO DO MAR

 

 

As mãos se mexem tão frágeis, tão pequenas

E o berço é sua pesquisa, seu brinquedo.

Ao requebrar-se nas rochas mais morenas,

O mar lhe imita o vagido fino,

Num bem entoado e firme hino

Tão belo como o seu, como o seu tão ledo.

Seus olhos tentam a tudo ver atentos

E concentrados se soltam em viagens.

Vaga o violento rugido destes ventos;

Vão inquietos, fazendo frente

Ao movimento da mente,

Da mente dele, perdida atrás de imagens.

Móbiles são curiosos, são mistérios;

Almejaria entender as suas rotas.

Nos faróis, raios, trovões já rugem sérios.

Resplendem móbiles sob a luz.

Um barco a sós se conduz

Por meio de ínvias estradas más e ignotas.

Resmunga agora e, inquieto, chora e vage,

Nas sombras frias da casa oculta aos olhos.

A chuva dança fremente sob a laje.

O marinheiro cansado ancora.

E crê que só o mar chora

Ao retirar da jangada os seus espólios.

Desesperada a criança então desfaz-se

No mais convulso e profuso choro triste.

Dos degraus feitos com pedras volve a face

O marinheiro que leva o fardo.

Ao longe avista o tom pardo

Da casa, esta o único gozo seu que existe.

Rubra a criança nervosa ainda grita,

Chacoalhando o bercinho seu de palha.

Ao vento ondeia somente a frágil fita

Que ao lar demarca. O homem abre a porta.

Entra. Ao entrar, à luz torta,

O odor do mar na cabana logo espalha.

Escuta então o bebê pedindo ajuda;

Corre e procura um luzeiro. Ao quarto vai.

Tem o pequeno ser quem assim lhe acuda.

Com canções vindas do mar, acalma

O filho posto na palma,

Que reconhece feliz o próprio pai.

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