whatgodfews's blog http://blogs.rediff.com/whatgodfews Broadcasting my thoughts Tue, 17 Nov 2009 18:35:21 +0000 http://wordpress.org/?v=2.7.1 en hourly 1 ACRÉSCIMO http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/04/25/acrscimo/ http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/04/25/acrscimo/#comments Thu, 24 Apr 2008 19:45:31 +0000 Douglas Reis

Recorro ao alto dos Céus, a Quem me fez,

Com o hálito de Seus lábios sem dolo,

Para estar quieto em face do consolo,

Com suficiente fé, plena honradez.

Setas de dor me acintam vez pós vez,

E pedras pendem dentro do miolo;

Quero crer sempre, mas me sinto tolo

Se a inédita dor vem nítida à tez.

Interdita o temor que me acalora

Para eu dar graças pelo que me trazes:

Das entranhas tiro o óleo que unja as frases,

E então, sustido após todas as fases,

Tocado por Teu zelo, naquela hora

Te adorarei mais que hoje a alma Te adora!

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(O amor à Porta) http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/04/24/o-amor-porta/ http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/04/24/o-amor-porta/#comments Wed, 23 Apr 2008 18:34:32 +0000 Douglas Reis

Deus lhe manteve, até quando era certa a queda.

Da geração do exagero, eu movi tua íris

E me viste sem ver, não foi?, como a pedires

Que o amor entre nós fosse a mais cara moeda.

Deste o ombro ao que desprezo e amaste o que me apieda;

A um consenso sensual censuravas ao ouvires;

E, ao fazeres assim, me amavas por servires!

E, ah!, então vieste, e nada ao Meu rosto te veda.

"Vieste", anuncia cada anjo com voz de urgência;

Selo o cílio e abro o colo: acabou tua ausência!

Incólome, fruirás do que o lar lhe ofereça.

Eis teu prato ' à direita Abraão sentará, filho;

Mas antes: deixa-me beijar quem vem do exílio;

E ouça o Éden vir ' descansa em meu peito a cabeça.

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CONSOLO VINDO DO MAR http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/04/18/consolo-vindo-do-mar/ http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/04/18/consolo-vindo-do-mar/#comments Thu, 17 Apr 2008 18:47:03 +0000 Douglas Reis

 

 

As mãos se mexem tão frágeis, tão pequenas

E o berço é sua pesquisa, seu brinquedo.

Ao requebrar-se nas rochas mais morenas,

O mar lhe imita o vagido fino,

Num bem entoado e firme hino

Tão belo como o seu, como o seu tão ledo.

Seus olhos tentam a tudo ver atentos

E concentrados se soltam em viagens.

Vaga o violento rugido destes ventos;

Vão inquietos, fazendo frente

Ao movimento da mente,

Da mente dele, perdida atrás de imagens.

Móbiles são curiosos, são mistérios;

Almejaria entender as suas rotas.

Nos faróis, raios, trovões já rugem sérios.

Resplendem móbiles sob a luz.

Um barco a sós se conduz

Por meio de ínvias estradas más e ignotas.

Resmunga agora e, inquieto, chora e vage,

Nas sombras frias da casa oculta aos olhos.

A chuva dança fremente sob a laje.

O marinheiro cansado ancora.

E crê que só o mar chora

Ao retirar da jangada os seus espólios.

Desesperada a criança então desfaz-se

No mais convulso e profuso choro triste.

Dos degraus feitos com pedras volve a face

O marinheiro que leva o fardo.

Ao longe avista o tom pardo

Da casa, esta o único gozo seu que existe.

Rubra a criança nervosa ainda grita,

Chacoalhando o bercinho seu de palha.

Ao vento ondeia somente a frágil fita

Que ao lar demarca. O homem abre a porta.

Entra. Ao entrar, à luz torta,

O odor do mar na cabana logo espalha.

Escuta então o bebê pedindo ajuda;

Corre e procura um luzeiro. Ao quarto vai.

Tem o pequeno ser quem assim lhe acuda.

Com canções vindas do mar, acalma

O filho posto na palma,

Que reconhece feliz o próprio pai.

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A PRIMEIRÍSSIMA MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/04/17/a-primeirssima-multiplicao-dos-pes/ http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/04/17/a-primeirssima-multiplicao-dos-pes/#comments Thu, 17 Apr 2008 17:39:26 +0000 Douglas Reis

Fumo de pó dá à água matiz sujo de argila.

Secam-se junto as preces e a água da qual bebera,

E o Comando lhe ordena que caminhe à outra vila.

Não pôde entender: uma viúva atende à porta:

Sua voz de um chiado miúdo, a tez de cera

' Tudo nela confirma que em pouco estará morta.

Resta farinha para coser o último pão.

Com audácia insuspeita, pede-lhe o pão do filho,

Do filho que, como ela, míngua, e que chora em vão.

Talvez tocada pela firmeza do estranho,

Talvez ouvindo o mesmo Deus que o enviara ao exílio

' Que importa? De seu forno, sente-se vir o cheiro.

Dando ao profeta todo bocado quanto exija,

Jamais lhe falta outra vez azeite à botija.

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O ÍMPETO http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/04/16/o-mpeto/ http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/04/16/o-mpeto/#comments Wed, 16 Apr 2008 17:20:43 +0000 Douglas Reis

Cai.

A abóboda desfia,

Numa tensão tenaz e rústica,

Como

Fíbula delicada,

Com aspecto de diamante

' Cisco,

Pó composto de nada,

Descendente do atelier.

Caem

Da fístula de ínias núbilas.

Fundem-se às auroreais costuras.

Feéricos, 

Giram agora os gonzos

Dos próprios portais atmosféricos.

Foi

Reaberto o celeiro.

Direto do torno da fúria,

Vêm

Fios tonais aos jorros

Do vermelhidão recitante,

Por

Raios e por rabiscos

Entrecortados salto em salto.

Com

Força de afronta, a frota

Disfarça o insular desabafo.

Caem:

São pontos de uma renda

Que belisca a aba de aço abaixo;

Deixam

A abside e entram no embate

' Promovem a guerra primeva.

Caem:

O orador arpinite

Diria com voz ininflexa

Desta

Monotonia com

Que dão cor aos olhos das ruas.

Passam

Inflexíveis e rígidos

Raios a ruir a atmosfera;

Quebram

Hastis, homilia ampla,

Crebra, imponente, paquidérmica!

Nova,

Tine a tonalidade

Na hemóide encenação que esbarra

 

Num

Limite: os bosques sentem

O gládio cerúleo ceder;

Várzeas

Não transbordam; dois sob

Um toldo perdem seu pretexto.

Dócil

Morre a enchente; operários

Retornam para o domicílio.

Cessa

O ímpeto de águas ímpares.

E agora, o que se vê? Findo, o ímpeto,

Sendo

Uma explosão volátil,

Deixa só o rastro da queda.

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none http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/04/16/none/ http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/04/16/none/#comments Tue, 15 Apr 2008 21:48:19 +0000 Douglas Reis

A brasa contra o bloco, o aríete na aljadra,

E as lançam, destros, contemplados por partículas

De luz recente, em seguida indo à outra quadra

Além da alçada do halo. À sombra das edículas,

Ouvem os chifres e distendem o arco. Ladra

O exterior. Vêem as mulheres, as vinícolas

Nas mãos do enxame vindo através de uma esquadra.

Erguem-se ocultos. Suas flechas são ridículas.

Outra vez deixam sua sombra em busca de alvos

Que a elevação do posto os faz ver. Outra vez

Liteiras levam corpos para espaços calvos.

Ainda com baixas, nada há que a ira lhes aplaque.

Anjos conscientes, o outro grupo expreme a tez,

Mantendo o interior incólume ao ataque.

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SESAI, AIMÃ, TALMAI http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/02/08/sesai-aim-talmai/ http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/02/08/sesai-aim-talmai/#comments Thu, 07 Feb 2008 19:51:34 +0000 Douglas Reis

 

É mais sossegado, não acha? Lá dentro falta ar!

Consigo falar de maneira que soe aceitável.

Estou quase cego, é a idade… só uns se consagram.

O resto percorre o trajeto; não temos medalhas

' Rezamos sobrarem os dedos que contem todo erro.

Vai, puxe a cadeira, meu nego; talvez chova à noite.

A gente olha para o poente pensando em razões.

Em qual mês seus filhos vieram? Disseram amá-lo?

Não sei se as palavras resolvem, entende? Aprenda isto.

Quando eles nos vêem, falam coisas, mas sentem mesmo algo?

Meu mais velho mora na Europa ' tenho um neto suíço!

Às vezes me escreve. O divórcio puxou o isqueiro…

A mãe dele fez vistas grossas aos meus pulos na época.

Eu disse a ele que hoje as mulheres não são mais como antes.

Paciência! Ele não poderia ficar sem curtir.

O filho do meio é velhaco ' e dos bons, sim senhor!

E eu, valha-me o Céu, ganhei jogos com cartas nos bolços.

Ter ginga é normal hoje ' o amigo não concorda? Acho assim.

É pena: o rapaz foi julgado no mês de Janeiro.

Você sabe como as pessoas aumentam os fatos…

Meu mais moço não dá notícias. Têm c'ncer nos rins.

(Aos treze bebia comigo na esquina de casa.)              

Foi quem sugeriu minha vinda para este lugar;

Dizia não ter como a cada mês um me acolher.

Tomara que morra o bastardo! Que ódio eu sinto sempre!…

Conheço um olhar de desprezo: não quero bondade.

Explodam-se todos os rostos fraternos! Sou homem.

Vá, entre! Precio de um pouco do sopro noturno.

Os outros seriam alegres como eu? Nunca, nunca!

Ouviu? Entre, estúpido! Guarde piedade para outros

Itajaí (SC), 26 de Dezembro de 2007, as 8:00h .

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(Chacais em migração) http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/01/31/chacais-em-migrao/ http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/01/31/chacais-em-migrao/#comments Thu, 31 Jan 2008 17:25:38 +0000 Douglas Reis

 

 

Sala. Alas, com tamboris, foles… Desce o mosto

Da taça ínclita à mão que a roda. A dor da queda,

Na parede, e a sentença elíngue não segreda

' Publica a soma de amos para o rei deposto.

Sobre o nariz de Gogue, anzóis. Tivera gosto

No sacrifício humano em honra ao deus da moeda,

Quando em tribunais punha os cristãos. Deus lhe veda

O usufruto do espólio ao expor a ira em Seu rosto.

Babilônia caiu, vinde ó corvos! São vários

Os que lhe incensam um tributo derradeiro.

"Que é do deus de metal?", latem seus partidários.

Roendo à  adúltera o verme, um que lhe segue o cheiro,

Num corte teso sobre breve chão, seja algo

Onde apenas chacais pousem o dorso esgalgo.

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A SOMBRA DO TIRANO http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/01/17/a-sombra-do-tirano/ http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/01/17/a-sombra-do-tirano/#comments Thu, 17 Jan 2008 13:57:36 +0000 Douglas Reis

 

CANTO IX

[...]

O emaranhado me sufoca, eu peno

Com estas pontas secas na garganta,

Mãos do medo, este medo de perder,

Não um reino, e, sim, todas as razões

Que os anos de pilhagem e pilhéria

Impuseram a uma alma filial.

Pouco a formosura hoje me fará,

Se pouco fez, além de sustentar

Caprichos de alguém só, sem companhia

De uma figura justa que amparasse

O entendimento do progresso no homem,

No mundo do homem, tão precário e falho.

Que esperança haveria se o rei desse

Combate aos maus instintos criminosos?

O povo seria outro, Israel, outro:

Virgens não sofreriam violência

E a esposa do soldado o esperaria,

Sem temer por seu encanto à vista.

Demandas, que se encontram com paredes,

Teriam soluções abençoadas.

Ah! Mísero Israel, que não és tal

Como o sonha Deus, como eu mesmo o sonho

Nem poderei calar disparidades,

Sendo o rei que meu pai falhou em ser,

Já que me encontro às voltas com a morte.

Com cabelos e galhos sobre os olhos,

Vejo fragmentos de um bosque (ou de um mundo?);

Ouço hurros e erros, golpes e galopes.

E pensar que eu fiz tudo isso ocorrer,

E quase, por um pouco, eu não puni

O homem que indignamente ocupa o trono!

Eu o sucedi com larga vantagem,

Porque eu me fiz nobre pelo exílio

E o superei em toda habilidade.

O que Davi não pensa em seu refúgio!

Que medo ele não tem de que eu consiga,

De que a luta termine a meu favor,

E eu decida por sua vida ou morte?

Onde está Davi? Onde ele se esconde?

Por que não vem me ver, agora ao menos?

Quem sabe eu o deixaria respirar,

Para que ele tentasse ser meu rei.

 

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(meninos escocêses caçavam coelhos) http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/01/06/meninos-escocses-caavam-coelhos/ http://blogs.rediff.com/whatgodfews/2008/01/06/meninos-escocses-caavam-coelhos/#comments Sun, 06 Jan 2008 13:28:32 +0000 Douglas Reis

E a mensagem do achado é qual? (Há toda uma horda

Que ouviu dos dezessete e gestualmente exprime,

Vendo o assassino, o quanto em sua ira concorda

Que ele sofra na forca o horror de cada crime.)

Coelho em fuga e, nisto, o achado que recorda

Objetos rituais ' qual menino não se oprime?

Bonecas em caixões, dezessete. (Ele borda

Mortalhas de algodão e linho; e se redime

Com o zelo que põe nas bonecas? No fundo,

É provável que não superasse um boneco

Na ótica de uma Medicina que teve o mundo.

A asfixia rendeu-lhe as moedas do destino,

E aberto o cadafalso, há vulto, odores, e eco

De um cirurgião, de corpos frescos e violino )

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